CEO DA H&M se preocupa que a consciência ecológica dos consumidores possa afetar negativamente a industria do Fast FASHION

Em entrevista para o Bloomberg, o CEO da H&M, Karl-Johan Persson, falou abertamente sobre sua preocupação à respeito do constante crescimento de hábitos sustentáveis e como isso pode ser ruim para a indústria do fast fashion e a economia como um todo. Durante a entrevista, ele primeiro comentou a respeito dos meios de transporte aéreo, que contribuem para 2.5% das emissões de gases frequentes todos os anos.  Ativistas ambientais como Greta Thunberg, as vezes  destacam o impacto ambiental das viagens aéreas (Quando visitou os EUA em Setembro, por exemplo, Greta ficou famosa por usar um barco.)   Persson disse que ativistas e protetores incentivam pessoas a se envolverem cada vez menos com comportamentos poluentes, que podem  incluir desde o consumir ao voar.  “Sim, talvez isso gere um pequeno impacto ambiental.  Mas teremos consequências sociais terríveis”, disse ele ao Bloomberg. O CEO continuou explicando que acredita que a mudança climática é uma problemática séria: “É sim uma ameaça enorme e devemos levar em consideração – políticos, empresas, indivíduos. Mas ao mesmo tempo a eliminação da pobreza é uma meta tão importante quanto.”

Há tantos problemas na fala de Persson que fica difícil saber como começar a debater, mas vamos a facada inicial. É verdade que qualquer mudança séria no sistema global, para enfrentar as mudanças climáticas, vai gerar perturbações na economia. Mas como CEO de uma indústria massiva de fast fashion, Persson é o pior mensageiro possível para transmitir a mensagem da complexa transformação econômica que vai acontecer para sobrevivermos as mudanças climáticas.

Por outro lado, ativistas que defendem as políticas climáticas não são ingênuos sobre como avançar para a neutralidade do carbono pode resultar em perda de empregos à curto prazo. Bem como vemos reportado e repetido entre as mídias, o  acordo climático não é somente sobre se mover em direção a fontes de energias neutras em carbono como também criar novas formas de trabalho com a economia verde.

A verdade é que, em primeiro lugar, nós não estaríamos aqui se não fosse por conta de indústrias altamente poluentes, incluindo a da moda. O fast fashion trouxe terríveis consequências para todo o mundo. Marcas como H&M e Inditex ( proprietária da Zara), passaram décadas desenvolvendo  cadeias de suprimentos para produção mais rápida e barata, forçando outras marcas a reduzirem seu preço para competirem de igual para igual.

Isso teve um custo humano. Fábricas ao redor do mundo se desenvolveram para fabricar roupas, entretanto seus trabalhadores frequentemente trabalhavam sob condições horríveis. A H&M foi alvo recente pelo tratamento de seus trabalhadores. Ano passado foi divulgado um relatório onde trabalhadores das fábricas asiáticas da H&M sofriam abusos diariamente.

Perssons diz estar preocupado como a mudança de comportamento do consumidor pode gerar negativamente impactos para a eliminação da pobreza, mas tais argumentos obscurecem o fato da H&M não usar fábricas nos países em desenvolvimento afim de ser altruísta. Faz isso por conta da mão de obra barata. Como a empresa não teve um forte registro  de proteção dos direitos desses trabalhadores pobres, o argumento usado por  Persson não pode ser feito com credibilidade.

Tantas roupas, tão pouco tempo.

É importante reconhecer que a indústria do fast fashion causa verdadeiro impacto no meio ambiente. Marcas como H&M fazem roupas que são baratas, elegantes e com pouca durabilidade. Como resultado, fez ficar fácil ao consumidor consumir e visualizar tais itens como descartáveis ao invés de duráveis. Graças a tal mentalidade, a indústria mundial da moda atualmente gera 100 bilhões de roupas para 7 bilhões de pessoas, o que resulta em milhões de toneladas de roupas em aterros sanitários a cada ano. A H&M não é a única responsável por tal feito, obviamente,  mas com certeza contribuiu ativamente para tal realidade.

A super produção exagerada de roupas tem impacto massivo na mudança climática. As Nações Unidas estima que 10% da emissão dos gases de carbono no mundo são gerados pela indústria fashion – mais do que a indústria de aviação e a indústria de transporte juntas. Durante os últimos anos, a marca anunciou iniciativas sustentáveis, incluindo o uso de algodão mais orgânico e reciclável. A empresa prometeu se tornar “‘clima positiva” até 2040. Mas diversos especialistas acreditam que esses esforços Eco- Friendly não estão acontecendo com tanta rapidez para acompanhar o crescimento da indústria da moda.

Como estamos vendo, como a enxurrada de eventos climáticos extremos  e o aumento do nível do mar em todo o mundo, as mudanças climáticas estão chegando. Persson disse estar preocupado com a forma como a mudança de  nossos hábitos de consumo terá um custo econômico (que incluem os resultados da própria empresa), mas especialistas em clima dizem que os custos de não enfrentar o problema são muito mais altos do que o estimado anteriormente: Na taxa atual de emissão de carbono, lidar com os danos pode custar 10.5%  do PIB até 2100.

O período é curto para reverter o curso das mudanças climáticas. Se os CEOs de empresas altamente poluentes não repensarem seus negócios desde o inicio, não haverá como evitar as consequências do aquecimento global.     

Nós da Uhnika acreditamos que a moda mudará sim. Esse texto nos trouxe muitas informações e informação sempre é o foco. Já imaginou produzir 100 bilhões de peças de roupas para apenas 7 bilhões de pessoas no mundo? Imagina nossa indústria (e consumo) afetando 10% das emissões de carbono? São perguntas que ficam martelando na cabeça. Bora refletir sobre isso? Gostaram do texto?

Este texto foi traduzido do Bloomberg, para acessar o original clica aqui.      

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