um novo mundo em marcha: alimentação

No post anterior demos inicio a uma temática muito importante inspirado pelo documentário francês: Amanhã – Um novo mundo em marcha dirigido por Cyril Dion e Mélanie Laurent, que traz uma ótica otimista destinada a nos fazer agir em prol do meio ambiente – algo que acreditamos ser mais do que necessário nesse momento!

Se anteriormente falamos sobre a indústria da moda, hoje queremos trazer para a roda a agricultura e os novos conceitos de produção que alavancam o meio sócio ambiental para um futuro melhor.  Antes de qualquer questionamento precisamos ter em mente que o consumo de alimentos, sobretudo no Brasil, tem uma série de vieses que merecem ser lembrados e mencionados. Comer é uma questão de existência humana e merece ser tratada como tal.

Necessitamos de alimentos produzidos pela natureza, por isso o cultivo de plantas e criação de animais. Ponto indiscutível, não?. Entretanto vivemos em um modo de produção extremamente capitalista, obcecado pela sua reprodução e acumulação. O agronegócio no Brasil é sinônimo de capital financeiro, multinacionais e biotecnologia química pesada, indústria metal mecânica e trandings articulados e patrocinados pelo Estado, ou seja, a produção é desenvolvida para o abastecimento de interesses do Capital. Gerando assim um conjunto de contradições e problemas no campo e na cidade com destaque para a fome e subnutrição.

Se quisermos falar sobre práticas mais sustentáveis focadas na atividade agrícola do Brasil – de modo a gerar produtos com menos impactos socioambientais – precisamos falar diretamente com os agricultores familiares e com os pequenos produtores rurais – que quase nunca encontram apoio em políticas públicas, capacitação técnica e subsídio para exercer sua própria atividade. No entanto, eles são capazes de fornecer de 70 a 75% de alimentos para sustentar o mundo, segundo dados do Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas. Outra informação relevante é que a produção industrial é incapaz de produzir sem causar danos sérios ao meio ambiente ou para nós humanos, além de alcançar resultados inferiores ao da produção artesanal, por exemplo. No filme o Amanhã, um agricultor da Normandia fala a respeito da forma de plantio e cultivo do século 19 e que hoje utiliza para semear seu próprio alimento de maneira justa e consciente. Sua produção – 100% manual e livre de petróleo – semeia quatro vezes mais do que uma máquina industrial. Existem coisas que o feitio manual faz muito melhor do que o industrial, mas que por falta de incentivo e conhecimento acabamos camuflando pela nossa rotina e estilo de vida.  O segredo da produção esta em utensílios simples, manuais e inovadores. No documentário podemos ver a adequação de novas técnicas,a permacultura, infraestruturas e processos sustentáveis que permitem à comunidade um desenvolvimento independente, onde eles desmentem veemente que a agricultura depende de maquinários pesados.

Bem mencionado no longa, o propósito não é mudar o mundo, porque ele em si é grande demais, mas sim começar do que temos. A comparação não é digna uma vez que com relação aos países europeus estamos em um ideal muito distante de cultura e desenvolvimento, porém a mensagem que fica é: o primeiro passo precisa ser dado, a fim de mudarmos – ainda que a passos lentos – nossa concepção de produção, em qualquer escala, e adequar isso a novos hábitos de consumo.

Por onde começar? Exatamente assim, se questionando.

Por exemplo,  quantas vezes paramos para pensar sobre o consumo de carne e no que isso impacta no meio social, cultural e ambiental? Na maioria das vezes entendemos tal discussão como método de conversão ao vegetarianismo ou veganismo, mas a questão vai além de estilo de vida, é sobre insegurança alimentar ( termo pouco conhecido, mas que remete ao alto índice de fome no Brasil!).

Na cadeia de produção que nos encontramos, florestas são desmatadas para criação de gado, a reserva de água é utilizada para abastecimento da produção e os animais se alimentam dos grãos. O sistema que até então estava aqui para suprir necessidades básicas, não as supri para subsidiar necessidades da própria produção. Em nosso país a construção de conceitos como fome, desnutrição, insegurança alimentar tem um vasto histórico na formulação de políticas públicas e produção exacerbada, tornando-se assim uma luta contaste contra a fome. Só que o pensamento coletivo sobre a mesma, em âmbito socio cultural ainda parece pouco entendida. De acordo com renomadas organizações de saúde, o baixo consumo de frutas, hortaliças e legumes e o alto consumo de alimentos de origem animal aumentam o risco de diversos problemas de saúde pública como obesidade, câncer, diabetes e além de todos os problemas graves ambientais como desmatamento e uso excessivo da água.

Tem com desconsiderar esses fatos? Não. Por isso fica aqui o convite para que você em conjunto com a gente repense hábitos de consumo e alimentares e se inspire nessa onda. Comer influencia o mundo a nossa volta, desde a biodiversidade, a paisagem até as tradições culturais. Só depende de nós fazermos a mudança, preservar nosso planeta e de quebrar melhorar aspectos sociais.

E aí vamos juntas melhorar nossa qualidade de vida e colaborar para um futuro melhor?

Em breve teremos mais temáticas sustentáveis, fique ligado nos nossos conteúdos.

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